TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS - Elton Mayo


Prof. Francisco José Oliveira1


Nasceu da necessidade de corrigir a tendência à desumanizarão do trabalho com a aplicação de métodos científicos e precisos.


USA, Elton Mayo e Colaboradores. Uma tentativa de reação e oposição à Teoria Clássica.


ORIGENS DA TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS


A necessidade de se humanizar e democratizar a Administração, libertando-a dos conceitos rígidos e mecanicistas da Teoria Clássica e adequando-a aos novos padrões de vida do povo americano. Um movimento americano voltado para a democratização dos conceitos administrativos.


O desenvolvimento das ciências humanas, principalmente a Psicologia e sua crescente influência intelectual, e as primeiras aplicações à organização industrial. As ciências humanas vieram demonstrar a inadequação dos princípios clássicos.


As idéias da filosofia pragmática de John Dewey e da Psicologia dinâmica de Kurt Lewin foram fundamentais para o humanismo na administração. A Sociologia de Pareto foi fundamental.


As Conclusões da experiência de Hawthorne, realizada entre 1927 e 1932. sob a coordenação de Elton Mayo, que puseram em xeque os principais postulados da Teoria Clássica da Administração.


EXPERIÊNCIA DE HAWTHORNE


EM 1927, fábrica de Hawthorne da Western Eletric Company – Chicago.

Objetivo: avaliar a correlação entre a iluminação e a eficiência dos operários, medida por meio da produção. Coordenada por Elton Mayo:

Os pesquisadores verificaram que os resultados da experiência eram prejudicados por variáveis de natureza psicológica. Durou até 1932.


CONCLUSÕES DA EXPERIÊNCIA:

Proporcionou a definição dos aspectos básicos da Escola das Relações Humanas. Conclusões:


O nível de produção é resultante da integração social. O nível de produção não é determinado pela capacidade física ou fisiológica do empregado (como afirmava a Teoria Clássica), mas por normas sociais e expectativas grupais. É a capacidade social do trabalhador que determina o seu nível de eficiência e não sua capacidade de executar movimentos eficientes no tempo estabelecido. Quanto maior a integração social no grupo de trabalho, tanto maior a disposição de produzir.


Comportamento social dos empregados. O comportamento do indivíduo se apóia totalmente no grupo. Os trabalhadores não agem ou reagem isoladamente como indivíduos, mas como membros de grupos. A qualquer desvio das normas grupais, o trabalhador sofre punições sociais ou morais dos colegas para se ajustar aos padrões do grupo.


Recompensas e sanções sociais. O comportamento dos operários é condicionado por normas e padrões sociais. Os operários que produziram acima ou abaixo da norma do grupo perderam o respeito e a consideração dos colegas. Preferiam produzir menos – e ganhar menos – a por em risco suas relações amistosas com o grupo. Cada grupo social desenvolve crenças e expectativas – reais ou imaginárias – com relação à administração e que influem nas atitudes e nas normas e padrões de comportamento que o grupo define. As pessoas são avaliadas pelo grupo em relação a essa norma e padrões de comportamento.


Grupos informais. Enquanto os clássicos se preocupavam com aspectos formais da organização – como princípios da organização, autoridade, responsabilidade, especialização, departamentalização etc, – os autores humanistas se concentravam nos aspectos informais da organização – como comportamento social, grupos informais, crenças, atitudes e expectativas, motivação etc. a empresa passa a ser visualizada como uma organização social composta de grupos sociais imformais, cuja estrutura nem sempre coincide com a organização formal, ou seja, com o spropósitos definidos pela empresa.


Relações humanas. No local de trabalho, as pessoas participam de grupos sociais dentro da organização e mantêm-se em uma constante interação social. Para explicar o comportamento humano nas organizações, a Teoria das Relações Humanas passou a estudar essa interação socai. As relações humanas são as ações e atitudes desenvolvidas a partir dos contatos entre pessoas e grupos;


Importância do conteúdo do cargo. A especialização não é a maneira mais eficiente de divisão do trabalho. Embora não tenham se preocupado com este aspecto, os autores humanistas verificaram que a especialização proposta pela Teoria Clássica não cria a organização mais eficiente. O conteúdo e a natureza do trabalho têm influência sobre o moral do trabalhador. Trabalhos simples e repetitivos, tornam-se monótonos e maçantes afetando a atitude do trabalhador e reduzindo a sua satisfação e eficiência.


Ênfase nos aspectos emocionais. Os Elementos emocionais não-planejados e irracionais do comportamento humano merecem atenção especial da Teoria das Relações Humanas. Daí a denominação de sociólogos da organização dos autores humanistas.




ORGANIZAÇÃO INFORMAL


A experiência de Hawthorne revelou a existência da organização informal que se manifesta por meio de:


Padrões de produção que os operários julgam ser a produção normal que deveriam dar e que não eram ultrapassados por nenhum deles;


Práticas não-formalizadas de punição social que o grupo aplica aos operários que excedem os padrões e são considerados sabotadores;


Expressões que fazem transparecer a insatisfação quanto aos resultados do sistema de pagamentos de incentivos por produção.


Liderança informal de alguns operários que mantêm o grupo unido e asseguram o respeito pelas regras de conduta.


Contentamentos e descontentamentos com relação às atitudes dos superiores a respeito do comportamento dos operários.



ABORDAGEM SOCIAL E NÃO INDIVIDUAL

A Administração não pode tratar os empregados, um a um , como se fossem átomos isolados. Precisa tratá-los como membros de grupos sujeitos às influências sociais desses grupos. Os trabalhadores não reagem à Administração, às suas decisões, normas, recompensas e punições como indivíduos isolados, mas como membros de grupos sociais e cujas atitudes são influenciadas por códigos de conduta grupais. É a teoria do controle social sobre o comportamento individual. A amizade e o agrupamento social dos trabalhadores são aspectos relevantes para a Administração. A Teoria das Relações Humanas contrapõe o comportamento social do empregado ao comportamento do tipo máquina proposto pela Teoria Clássica e baseado na concepção atomística do homem.



CIVILIZAÇÃO INDUSTRIALIZADA E O HOMEM

A Teoria das Relações Humanas mostra o esmagamento do homem pelo impetuoso desenvolvimento da civilização industrializada.



1Professor da Universidade Bandeirante de São Paulo